

Em Beijing, desde o início de 2026, foram realizadas diversas atividades, entre elas a mostra do filme brasileiro A Amazônia: Uma floresta na tela, que aproximou o público chinês à riqueza natural e cultural do Brasil. Enquanto isso, em São Paulo, Brasil, um “flash mob” da cultura chinesa encheu as ruas de música e cor para celebrar o Ano Novo Lunar, despertando a curiosidade e o entusiasmo dos transeuntes.
Nos primeiros três meses de 2026, o Ano Cultural China-Brasil já demonstrou um dinamismo notável, fortalecendo de forma concreta a amizade entre os dois povos e promovendo um intercâmbio cultural cada vez mais profundo entre os dois países.
A amizade entre os povos constitui a base e a força motriz do desenvolvimento das relações China-Brasil. Com essa convicção, os líderes dos dois países concordaram em designar 2026 como o Ano Cultural China-Brasil, com o objetivo de fortalecer os laços culturais e ampliar a compreensão mútua entre os povos.
O presidente da China, Xi Jinping, descreveu assim a importância dos intercâmbios culturais entre os dois países: as culturas da China e do Brasil são ricas e diversas, possuem um encanto único, se complementam e se atraem mutuamente.
Tornando a China mais próxima dos brasileiros
Em janeiro deste ano, realizou-se em Beijing e em outras cidades uma série de atividades “Entre o Espelho e a Lâmpada: Diálogo da Literatura Contemporânea Sino-Brasileira”, na qual escritores brasileiros mantiveram um diálogo aprofundado com escritores, tradutores e pesquisadores chineses.
Por meio dos livros, uma sucessão de embaixadores culturais da China e do Brasil perpetua o diálogo entre civilizações.
Em julho de 2014, o presidente Xi destacou a trajetória de Carlos Tavares, a quem descreveu como “um brasileiro com coração chinês” durante seu discurso no Congresso Nacional do Brasil, país que visitava oficialmente.
Desde a década de 1970, Tavares escreveu 10 livros e mais de mil artigos sobre a China. Muitos brasileiros passaram a conhecer e se aproximar do país por meio de seus escritos. Antes de falecer em 2021, Tavares deixou um desejo não realizado: escrever mais artigos sobre a China.

Hoje, cada vez mais brasileiros dão continuidade ao intercâmbio humanístico iniciado por Tavares. Desde clássicos tradicionais como Analectos, de Confúcio, e Tao Te Ching até obras literárias como Grito, de Lu Xun, e O Camelo Xiangzi, de Lao She, um número crescente de títulos chineses vem sendo traduzido e publicado no Brasil.
Evandro Menezes de Carvalho, professor de direito internacional da Universidade Federal Fluminense (UFF), é um desses embaixadores culturais. Agraciado com o Prêmio da Amizade do Governo chinês, é mais conhecido por seu nome chinês, Gao Wenyong.
Desde sua primeira visita de estudo à China, em 2013, Carvalho tem se dedicado ativamente a promover a tradução recíproca de obras e o intercâmbio acadêmico entre os dois países. Entre os feitos que mais valoriza está sua participação na tradução para o português do quarto volume de Xi Jinping: A Governança da China e de Livrar-se da pobreza.
Na sua opinião, no atual contexto de tensões geopolíticas internacionais e frequentes crises de governança global, é essencial valorizar a diversidade das civilizações. A Iniciativa de Civilização Global proposta pelo presidente Xi “oferece uma alternativa ao paradigma da confrontação e reafirma a importância do respeito mútuo, da coexistência pacífica e do diálogo intercultural como base para uma ordem internacional mais estável e equitativa”.
Ele acrescentou que “para os países do Sul Global, como o Brasil, essa abordagem é particularmente relevante, pois abre espaço para que nossas próprias experiências civilizatórias sejam reconhecidas, valorizadas e integradas ao debate global sobre desenvolvimento e governança”.
Com o objetivo de permitir que mais brasileiros conheçam a China por meio dos livros, Carvalho tem defendido a criação de uma marca editorial temática chamada “SHU” (livro em mandarim), voltada à tradução e publicação de obras relacionadas à China.
Em sua visão, Carlos Tavares fez com que os brasileiros conhecessem a China, enquanto a missão de sua geração é fazer com que os brasileiros compreendam a China. “O intercâmbio cultural eleva o espírito humano: amplia horizontes, reduz a ignorância, aprofunda a sensibilidade e nos torna mais inteligentes e generosos”, afirmou.
A arte pode transcender fronteiras
“Na década de 1980, a telenovela brasileira A Escrava Isaura fez enorme sucesso na China, e a busca de Isaura por liberdade e amor comoveu centenas de milhões de espectadores chineses”. Em seu discurso de 2014 no Congresso brasileiro, o presidente Xi Jinping também mencionou essa produção.
Ambientada no período da escravidão do século 19, a novela narra a história comovente de uma jovem escrava em sua luta pela liberdade e pelo amor verdadeiro. Lucélia Santos, atriz que interpretou Isaura, afirmou em entrevista à Xinhua que “as palavras do presidente Xi Jinping me fazem sentir imensamente honrada e grata. Nunca imaginei que uma telenovela pudesse se tornar um elo cultural entre a China e o Brasil, o que me faz acreditar ainda mais que a arte pode transcender fronteiras”.
Em 1985, Santos ganhou o prêmio de Melhor Atriz Estrangeira no Golden Eagle Awards da televisão chinesa por essa série, tornando-se a primeira atriz estrangeira a receber essa honra. Desde então, visitou a China diversas vezes; também convidou parceiros chineses ao Brasil para filmar documentários e trocar ideias sobre roteiros, e atualmente promove dois projetos de cooperação. Ao longo dos anos, continua recebendo demonstrações de carinho do público chinês, uma amizade que atravessa décadas e reforça sua determinação de seguir promovendo o intercâmbio cultural entre os dois países.
Do sucesso de A Escrava Isaura na China à atual popularidade de produções audiovisuais chinesas no Brasil, o intercâmbio cinematográfico e televisivo entre os dois países tem experimentado um desenvolvimento significativo, passando de uma “transmissão unidirecional” para um “encontro bidirecional”.

Em 2022, a marca internacional de difusão de conteúdos audiovisuais chineses “China Zone” foi lançada oficialmente no Brasil, permitindo ao público brasileiro acessar filmes, séries, documentários e animações chinesas com legendas em português por meio de plataformas locais, conhecendo assim mais sobre a China e sua cultura.
Além disso, em 2024, várias obras como O Problema dos Três Corpos e Nirvana em Chamas foram traduzidas e legendadas em português, chegando aos lares de numerosos assinantes de televisão no Brasil.
Em maio de 2025, em seu discurso de abertura da quarta reunião ministerial do Fórum China-CELAC, o presidente Xi propôs que a China e a América Latina trabalhem conjuntamente para implementar cinco programas de intercâmbio, entre os quais mencionou que a China exibirá filmes e programas televisivos chineses no âmbito do projeto The Bond. China e América Latina e Caribe trabalharão para realizar, anualmente, a tradução mútua de 10 telenovelas ou programas audiovisuais populares.
A atriz de A Escrava Isaura considera que “as telenovelas são um meio popular de conhecer a economia e a sociedade de um país”.
Ela espera que o intercâmbio cultural entre a China e o Brasil alcance um novo patamar. Em sua opinião, por meio das telas, os povos dos dois países percebem seus modos de vida e valores, criando uma conexão cultural que oferece um “exemplo sino-brasileiro” para o intercâmbio entre civilizações em nível global.
Santos considera que o Ano Cultural China-Brasil tem um significado profundo. Durante sua visita ao Brasil, o presidente Xi citou o provérbio “a amizade é como o vinho, quanto mais envelhece, melhor fica”. Ao recordar essa frase, Santos afirmou que o intercâmbio aproxima os corações dos dois povos e fortalece continuamente a amizade entre as duas nações.

Um futuro promissor para a amizade China-Brasil
Em 2024, o presidente Xi respondeu a uma carta enviada por personalidades amigas de diversos setores do Brasil, entre elas membros da Orquestra Forte de Copacabana, incentivando-os a continuar contribuindo para a amizade entre a China e o Brasil.
Em sua resposta, Xi afirmou que ficou satisfeito em ver que a causa da amizade entre a China e o Brasil está sendo transmitida de geração em geração e conta com novos continuadores.
A diretora artística da orquestra, Márcia Melchior, afirmou que “um incentivo como esse é uma grande honra para a nossa banda”, acrescentando que o grupo sempre se dedicou à formação de novas gerações para promover o intercâmbio cultural, “pois elas representam o futuro promissor da amizade entre a China e o Brasil”.
A Orquestra Forte de Copacabana é bastante conhecida no Rio de Janeiro e é composta principalmente por jovens, em sua maioria adolescentes, provenientes de famílias de baixa renda. O grupo, que esteve à beira da dissolução devido a dificuldades financeiras, renasceu em 2022 graças à doação de uma empresa chinesa.

Atualmente, a cada último sábado do mês, a banda realiza concertos ao ar livre no Forte de Copacabana. Canções em chinês interpretadas por sua vocalista principal, Isabella, como Eu amo a China e Como você quiser, sempre despertam grande ressonância entre o público local.
Em setembro de 2024, por ocasião do 50º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre a China e o Brasil, a banda foi convidada a realizar uma turnê pela China.
“Cada apresentação foi um intercâmbio espiritual, um passo importante rumo à amizade e à compreensão. O entusiasmo do público chinês nos comoveu e confirmou que a música é uma linguagem sem fronteiras”, recordou Melchior.
A amizade cria raízes na melodia. Atualmente, a Orquestra do Forte de Copacabana mantém contatos com diversas instituições com a esperança de organizar concertos conjuntos com músicos chineses, além de oficinas e projetos de intercâmbio cultural. Melchior acredita que a música continuará sendo o elo que permitirá às novas gerações preservar e ampliar o legado de integração cultural entre os dois países.
Por Chen Yao, Zhao Yan e Zhou Yongsui, Xinhua
Fonte: Google Notícias
Publicado originalmente em: 2026-04-06 19:45:00

