
O Brasil e a Angola assinaram acordos para fortalecer a cooperação entre os dois países. A cerimônia ocorreu no dia 31 de março na Fundação Cultural Palmares (FCP), em Brasília. A iniciativa foi coordenada pelo Ministério da Cultura (MinC) e reuniu autoridades brasileiras e angolanas.
A cerimônia integrou a missão oficial do ministro da Cultura de Angola ao Brasil e resultou na assinatura de três instrumentos: um acordo entre a Fundação Biblioteca Nacional (FBN) e o Arquivo Nacional de Angola, um memorando de entendimento na área cultural e uma declaração conjunta entre os governos.
Os documentos estabelecem bases para cooperação em áreas como artes, patrimônio, pesquisa e circulação de produções culturais.
O memorando de entendimento cria diretrizes para ações conjuntas entre Brasil e Angola. O instrumento prevê intercâmbio de artistas, pesquisadores e estudantes, além da participação em eventos e da difusão de obras culturais entre os dois países.
A parceria inclui iniciativas voltadas à formação profissional, à produção cultural e ao desenvolvimento de projetos nas áreas artística, acadêmica e científica. Também contempla ações relacionadas à economia criativa, direitos autorais e regulação no ambiente digital.
O acordo tem vigência inicial de cinco anos e não prevê transferência direta de recursos. O objetivo é estruturar uma agenda de cooperação contínua.
A ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, afirmou em nota da pasta da Cultura que os acordos buscam transformar compromissos em ações concretas.
Segundo ela, a cooperação cultural fortalece a relação entre os países e amplia o intercâmbio entre as populações.
O ministro da Cultura de Angola, Filipe Silvino de Pina Zau, destacou que a parceria se baseia em uma história comum e defendeu o aprofundamento das relações culturais, com atenção ao tema da reparação histórica.
Acesso a documentos históricos
No campo da memória, o acordo entre a Fundação Biblioteca Nacional e o Arquivo Nacional de Angola prevê a disponibilização de 108 manuscritos antigos ao público. O material integra o Projeto Resgate Barão do Rio Branco.
Os documentos reúnem registros sobre a relação entre Brasil e Angola entre os séculos XVII e XX. O acervo inclui informações sobre o tráfico de pessoas escravizadas, atividades comerciais e aspectos da formação histórica dos dois países.
A iniciativa amplia o acesso a fontes documentais que, até então, exigiam consulta presencial. O conteúdo será disponibilizado em formato digital no site do projeto.
O material foi organizado por pesquisadores vinculados ao Projeto Acervo Digital Angola-Brasil (PADAB) e segue em atualização.
Representantes da Fundação Biblioteca Nacional destacaram que a divulgação do acervo permite ampliar o conhecimento sobre a história comum entre os países e reforça o papel da memória na formulação de políticas culturais.
Fonte: Google Notícias
Publicado originalmente em: 2026-04-04 10:00:00