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Curso Cultura e Realidade Brasileira encerra segunda turma no DF com formação crítica e articulação popular

Curso Cultura e Realidade Brasileira encerra segunda turma no DF com formação crítica e articulação popular

A segunda turma do Curso de Cultura e Realidade Brasileira (CRB) foi concluída no dia 21 de março, no Distrito Federal, consolidando uma iniciativa de formação política que reúne movimentos sociais do campo e da cidade para refletir sobre a história, a economia e os desafios estruturais do país, com objetivo na construção de um projeto popular para o Brasil.

Realizado aos sábados no auditório do Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Distrito Federal (Sindsep-DF), no Setor Bancário Sul, o curso é fruto da articulação entre organizações como Distrito Drag, Levante Popular da Juventude, Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras por Direitos (MTD), Movimento Brasil Popular e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), com apoio do Brasil de Fato DF. 

A proposta do CRB é oferecer uma formação crítica que conecte grandes temas nacionais à realidade concreta do Distrito Federal. Ao longo de cinco encontros, os participantes mergulharam em debates que abordaram desde a formação histórica do Brasil até questões contemporâneas, como desigualdade social, organização econômica, conflitos agrários e urbanos, além do papel dos movimentos populares na transformação social.

Militante do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) e integrante da comissão político-pedagógica do curso, Michelly Milhomem destacou o caráter aprofundado da formação. “Foram dias de profunda formação política, onde estudamos a realidade brasileira desde suas raízes, entendendo que o Brasil é terra indígena, refletindo sobre os povos originários e sua resistência, debatendo o escravismo colonial e a herança do racismo, e compreendendo o mercado como uma estrutura que organiza as desigualdades”, afirmou.

Segundo ela, um dos diferenciais do curso foi a construção coletiva entre organizações diversas. “O mais potente desse curso não foi apenas o conteúdo, mas a forma como ele foi construído, reunindo organizações do campo e da cidade. Quando esses sujeitos se encontram, ocorre uma troca de experiências fundamental”, explicou. 

Para Milhomem, essa troca fortalece a unidade das lutas sociais, conectando pautas como reforma agrária, moradia, trabalho digno e combate às desigualdades estruturais.

A formação também enfatizou o papel das mulheres na construção de um projeto popular. “Não existe um projeto popular sem as mulheres, sem o enfrentamento ao patriarcado e sem a defesa pela vida. O feminismo camponês popular nasce da prática e da organização coletiva”, ressaltou.

Michelly Milhomem, integrante do Movimento de Mulheres Camponesas e CPP do CRB.
Michelly Milhomem, integrante do Movimento de Mulheres Camponesas e CPP do CRB. | Crédito: Flavia Quirino/BdF DF

Para os participantes, o curso representou não apenas um espaço de aprendizado, mas também de transformação pessoal e política. A professora de Ciências Biológicas Paola Rezende, que participou da primeira turma, realizada em novembro, e que atuou como monitora nesta edição, destacou o impacto da experiência. “A gente chega achando que sabe muita coisa, mas o curso coloca a gente em contato com outras realidades e com pessoas que estão fora do nosso cotidiano. Isso amplia muito a nossa visão”, relatou.

Ela destacou ainda a importância de temas que estavam fora de sua vivência anterior. “Tive contato com debates sobre a questão agrária, povos indígenas, industrialização e imperialismo, que eu não conhecia profundamente. É um curso muito enriquecedor, que provoca e faz a gente refletir sobre como se organizar e transformar a realidade”, afirmou.

Paola também ressaltou o papel da monitoria como continuidade desse processo formativo. “É tentar compartilhar com outras pessoas as provocações que o curso traz, incentivar a organização e mostrar a importância de que ele aconteça mais vezes e em mais lugares”, completou.

Direito à cidade

Moradora da Cidade Estrutural e integrante do movimento de educação e cultura do território, Mariza Araújo destacou como o curso contribuiu para aprofundar a compreensão sobre as desigualdades urbanas vividas no cotidiano. “Eu gostei muito dessa questão do urbanismo, como foi colocado em aula. Eu vivo dentro de uma comunidade, na Estrutural, e não tinha parado para pensar o tanto que aquilo é cruel, como a cidade está projetada. É perceber como nos querem longe, como nos querem distantes, sem o direito à cidade”, afirmou.

Para Araújo, a formação também reforçou a importância da organização coletiva como caminho de transformação social. “São muitas coisas que a gente aprendeu, tanto individual quanto coletivamente. A gente pode fazer a diferença, pode continuar na luta para transformar essa realidade que nos é apresentada de forma maquiada”, disse. Ela também destacou a necessidade de fortalecer redes entre os participantes: “Convido todos nós a formar uma rede, para divulgar nossos trabalhos, somar forças e criar de fato alguma coisa. A gente sai daqui com mais consciência e vontade de contribuir com um projeto coletivo”, concluiu.

Já Jefferson Francisco da Silva, conhecido como Roxo, militante do MST no DF e Entorno, enfatizou a relevância dos debates urbanos. “Gostei muito do curso. Acho que podia ser mais longo. Os debates sobre as favelas e a questão urbana foram importantes, porque ainda são temas pouco discutidos”, avaliou.

Para ele, a formação contribuiu para ampliar a compreensão sobre o país. “Tirou dúvidas que eu tinha sobre a formação do Brasil. Ajudou a refletir de outra forma sobre a realidade”, disse.

Projeto Popular

O último módulo do curso foi dedicado à construção de perspectivas para o futuro. Representante da Secretaria Nacional do Projeto Brasil Popular e da coordenação político-pedagógica do curso, Teresa Maia explicou que essa etapa sintetiza o objetivo central da formação. “A gente veio estudando a realidade brasileira em sete encontros para organizar nossas ideias sobre como construir um Projeto Popular para o Brasil, a partir da leitura da realidade e das prioridades do povo”, afirmou.

Segundo Teresa, o CRB é uma ferramenta estratégica para fortalecer a organização social. “O curso fortalece tanto o debate quanto a ação organizada, sempre com o objetivo de construir um projeto popular baseado na realidade concreta do país”, destacou.

A próxima e terceira turma do curso será realizada novamente em Brasília, no auditório do Sindicato, com data prevista para o dia 16 de maio e encerrará a última turma da jornada, no dia 26 de junho.


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Fonte: Google Notícias

Publicado originalmente em: 2026-03-30 17:56:00