Chang’e 嫦娥 som, dança e cultura chinesa.

Entre a mitologia milenar da
deusa da lua e a modernidade da exploração espacial chinesa, o espetáculo
CHANG’E 嫦娥 propõe uma experiência
sensorial profunda que ultrapassa as fronteiras da visão. Realizada com
recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC-DF),
remontagem obra explora o limiar entre
o visível e o invisível através da dança e da cultura chinesa. Inspirada na
missão lunar que revelou o lado oculto do satélite, a montagem utiliza a
filosofia da oposição complementar para nos lembrar que o invisível não é um
vazio de sentido, mas a própria estrutura que permite ao visível manifestar-se.
No coração da pesquisa, o
protagonismo da pessoa com deficiência visual encontra suporte na tecnologia.
No palco, o encontro entre Carol Barreiro e Kimberlly Lima cria um diálogo vivo entre dança, Kung Fu (Wushu) e som. O
espetáculo é sustentado por um software desenvolvido pelo diretor musical,
Eufrasio Prates, que captura a sonoridade orgânica dos movimentos em tempo
real, transformando-os em sons fractais. Essa paisagem sonora, que une
sabedoria ancestral e inovação contemporânea, funde-se ao timbre do Erhu — o
milenar instrumento chinês —, tocado por Tom Suassuna.
Nesta obra, a construção que possibilita a pesquisa de linguagem em conteúdos acessíveis se dá por meio da estética do espetáculo, evidenciando o protagonismo da pessoa com deficiência e traduzindo o som em movimento.
CHANG’E 嫦娥 convida o público a desvendar
o lado oculto da Lua, revelando que a forma emerge de uma presença tecida entre
movimento e som, em constante diálogo com a força invisível da gravidade.